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Este blog foi criado para discurtirmos a trajetória da Educação Profissional no Brasil, por isso todos sintam-se convidados a contribuir com opiniões, sugestões e críticas.

RESENHA DE FILMES

















1) RATATOUILLE


Este filme conta as peripécias de um ratinho chamado Emy e seu amigo Linguini. Emy está cansado da vida de rato, de só comer restos, porque seu paladar é, digamos, um tanto refinado. Ele é fã de grande chefe francês de nome Gusteau, já falecido, e que adotava o lema: "qualquer um pode cozinhar". Após, perder-se de sua família, Emy vai parar em Paris, justamente no restaurante de Gusteau, agora conduzido por um chefe ranzinza e autoritário. Aí, um jovem de nome Linguini, é recém contratado para o trabalho de coleta de lixo, mas resolve mexer numa panela de sopa, para desespero de Emy, que observava tudo de longe. Conduzido pelo espírito de Gusteau, que vem acompanhando-o desde que ele se perdeu de sua família, Emy coloca diversos ingridientes na sopa, que servida no restaurante, agrada muito. Linguini é desafiado a cozinhar e com a ajuda do seu mini-chefe vai fazendo maravilhas no restaurante. Depois, acaba-se descobrindo a origem de Linguini - filho legítimo de Gusteau - e o chefe ranzinza é dispensado. Diante da popularidade alcançada por seus pratos, Linguini tem que enfrentar um grande desafio: cozinhar algo que agrade um dos maiores críticos gastronômicos da cidade. Ele, então, vê-se obrigado a revelar a todos que quem cozinhava era o ratinho; todos os empregados do restaurante o abandonam, inclusive, sua namorada Colete. Emy convoca sua família para ajudá-los,organizar tudo na cozinha, delega funçoes; Colete volta arrependida e também ajuda; Linguini assume o posto de garçom; e o prato que é preparado agrada bastante ao crítico. Este é um ótimo filme para refletirmos acerca de liderança - qualquer pode tornar-se um grande líder, só depende é de não nos conformarmos com nossa condição, como vez Emy, e lutarmos por nossos objetivos.


2) O HOMEM QUE COPIAVA

Este filme protagonizado por Lázaro Ramos, conta a trajetória de um moço chamado
André, cujo hobby é desenhar, e que, como muitos brasileiros, tem que se virar para sobreviver com pouco dinheiro. Ele trabalha numa papelaria, exercendo a função de "operador de fotocopiadora". Sua grande paixão é Sílvia, personagem vivida por Leandra Leal, que trabalha numa loja de roupas e a quem André observava da janela de sua casa todos os dias, através de binóculo. Certa vez, a pretexto de comprar um presente para sua mãe, ele entra na loja onde ela trabalha, só para vê-la. É aí que começa o desespero dele por dinheiro, pois o presente que Sílvia lhe sugere custava R$38,00. Como arrumar esta quantia?Ele tenta arrumar emprestado com Cardoso (Pedro Cardoso), mas não consegue e agora só pensa em enricar. Com a ajuda deste, ele rouba o carro-forte de um banco, mas é supreendido logo depois: havia ganhado um grande prêmio. Com medo de serem descobertos, eles contam com a ajuda de Marinês (Luana Piovanni)para ir receber o prêmio. Sílvia apresenta seu pai a André e este o reconhece como sendo o assaltante e passa a chantageá-lo. Ela convence André a matar o pai; e com a cumplicidade de Cardoso e Marinês, eles o executam. Depois, fogem para o Rio de Janeiro, como se nada tivesse acontecido.Este é bom filme para refletirmos sobre as dificuldades do povo brasileiro e a falta de punidade - sim porque André roubou e até matou, mas nada lhe aconteceu.

3) O DIABO VESTE PRAGA

Este filme mostra o glamour do mundo da moda. Andréia (Andy) é uma jovem jornalista recém-chegada a Nova York, em busca de emprego. Ele consegue ser admitida por uma grande revista de moda e vai ter que se descobrar para dar conta dos pedidos de sua autoritária chefe, Miranda, uma mulher de pulso forte, muito respeitada. É o chamado "emprego dos sonhos" de toda garota. Andy consegue ganhar a confiança da chefe, mas depois percebe que existem coisas mais importantes na vida: amigos, namorado, família...Ela acaba desistindo de tudo isto, e é convidada pelo namorado a mudar-se com ele para outra cidade. Este filme é bom para refletirmos sobre o autoritarismo de quem comanda e obediência do subordinado. Ao assistir esta trama, eu associei a figura de Miranda a do Banco Mundial e de outros organismos que ditam as regras aos países endividados, e Andréia, eu relacionei à figura destes últimos, submissos, obedientes, pouco questionadores. Pena que estes países - o Brasil, por exemplo - ainda não foram capazes de dar um basta nesta situação!!!!!!!

Resenha

GOMES, Heloísa Maria; MARINS, Hiloko Ogihara. O Contexto Histórico e Legal da Educação Profissional no Brasil. IN: A ação docente na educação profissional. São Paulo: Editora Senac, 2004. p. 29-63.

Heloísa Maria Gomes possui mestrado em Educação (Currículo) pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (2003). Atualmente é Diretora da Faculdade Octógono de Ensino Superior. Tem experiência na área de Educação. Atuando principalmente nos seguintes temas: Doutorado em Educação Currículo. Já Hiloko Ogihara Marins possui graduação em Direito pela Universidade de Guarulhos (1995), graduação em Psicologia pela Universidade de Guarulhos (1985), graduação em Pedagogia pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (1978), mestrado em Educação: Currículo - Formação de Educadores - pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (2003) e é doutoranda em Pós Graduação em Educação Currículo pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Tem experiência na área de Educação, com ênfase em Coordenação Pedagógica, Orientação Educacional, Orientação Profissional, Treinamento e Desenvolvimento Profissional, atuando principalmente no seguinte tema: educação, educação profissional, formação de professores e mundo do trabalho. Docência universitária em Filosofia, Sociologia e Políticas Educacionais.
Neste texto, as autoras evidenciam o contexto histórico da educação profissional a partir de um resgate de todas as reformulações legais pelas quais este nível de ensino passou e mostram os preconceitos que sempre o permearam, haja vista o caráter assistencialista do mesmo, afinal a educação profissional surgiu para amparar os pobres e desvalidos de toda sorte.
Fundamentadas em teóricos como Acácia Kuenzer, Marise Ramos, Otaíza Romanelli e outros Gomes e Marins explicam como se deu o surgimento de uma educação voltada para o trabalho, algo que remonta à época da chegada da família real ao Brasil, período em que o príncipe regente, D. João, cria os primeiros cursos superiores, voltados para elite, e os colégios de fábrica para os menos favorecidos.
E elas destacam bem o caráter dual de tudo isto, especialmente com a promulgação da Constituição Federal de 1891 que veio reforçar ainda mais esta dicotomia do ensino. Mas paralelamente a isto, crescia as classes médias, formadas por comerciantes, funcionários públicos, etc. que começaram a pressionar o governo, exigindo que novas escolas fossem abertas e reivindicando reformulações urgentes no sistema educacional e na educação profissional, pois eles viam na educação uma oportunidade de ascenderem socialmente. Contudo, o quadro educacional até o final do século XIX manteve-se quase inalterado.
Somente em 1906, o ensino profissionalizante passou a fazer parte do Ministério da Agricultura, Indústria e Comércio, consolidando-se então como uma política de incentivo ao desenvolvimento do ensino industrial, comercial e agrícola, com vistas à preparação de operários o exercício profissional. Foram instaladas em várias unidades da Federação dezenove escolas de aprendizes artífices.
Mais tarde, e em virtude principalmente da crise de 1930, a Câmara dos Deputados promove uma série de debates sobre a expansão da educação profissional, propondo sua extensão a todos, pobres e ricos. Durante o governo Vargas algumas reformas educacionais, o ensino profissional comercial é organizado e a profissão de contador, regulamentada.
Em 1932, o Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova busca diagnosticar e sugerir rumos às políticas públicas em matéria de educação. Mas somente com a Constituição de 1937 é que e educação profissional foi pela primeira vez contemplada, pois a mesma tratou do ensino vocacional e pré-vocacional como dever do Estado para com os menos favorecidos. Neste sentido, a política vocacional volta-se para a formação profissional, sem conseguir, contudo, superar o caráter dicotômico e dualista da educação.
A partir de 1942 são baixadas as leis orgânicas do ensino numa tentativa de estruturar o ensino técnico-profissional. Dentro deste contexto, são criados o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial – SENAI e o Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial – SENAC e o governo Vargas estabelece o conceito de menor aprendiz para os efeitos da legislação trabalhista.
Segundo as autoras, este foi um período de grande valor na história da educação profissional, embora com algumas falhas na legislação, como falta de flexibilidade entre os vários ramos da educação profissional, e entre esta e o ensino secundário. Apenas na década de 1950 é que se passou a permitir a equivalência entre os estudos acadêmicos e profissionalizantes, quebrando parte da rigidez entre estes dois ramos de ensino.
Todavia, a plena equivalência entre os cursos de mesmo nível só veio a ocorrer de fato com a promulgação da Lei nº 4.024/61 – a primeira LDB – que equiparou o ensino profissionalizante, do ponto de vista da equivalência e continuidade de estudos, ao ensino acadêmico, acabando, pelo menos do ponto de vista formal, a velha dualidade entre ensino das “elites” e ensino dos “desvalidos’”.
Em 1971, uma nova LDB entra em vigor, a Lei 5.692/71, que reformulou a lei anterior no tocante ao ensino de 1º e 2º grau, sendo um dos marcos mais importantes para história da Educação Profissional. Porém as autoras argumentam que essa lei gerou falsas expectativas com relação ao ensino profissionalizante, uma vez que contribuiu para que as habilitações profissionais se difundissem de modo caótico, dentro de um 2º grau sem identidade..
Em 1975, o Conselho Federal de Educação emite o parecer nº 76/75 admitindo que havia equívocos na interpretação da lei e expressando a preocupação com a formação dos alunos que não deveria se conduzida a uma especialização para determinada ocupação como se pensava, mas sim a uma formação básica para o trabalho. Mais tarde, em 1982, a Lei 7.044/82 tornou facultativa a profissionalização no ensino do 2º grau.
Finalmente, em 1996, a nova LDB – Lei nº 9.394/96 – configura a identidade do ensino médio e dispõe que “a educação profissional, integrada às diferentes formas de educação, ao trabalho, à ciência e à tecnologia, conduz ao permanente desenvolvimento de aptidões para vida produtiva”. Esta concepção vem representar a superação do enfoque assistencialista da educação profissional, bem como do preconceito social que a desvalorizava.
Dentro deste contexto, o decreto nº 2.208/97 passa a estabelecer a organização da educação profissional e a Resolução CNE/CEB nº 04/99, a definir os princípios norteadores da mesma, estabelecendo a independência e a articulação com o ensino médio e propondo a organização da Educação Profissional em vinte áreas profissionais. Esta resolução deixa claro que a instituição de ensino deve definir o perfil de conclusão do egresso e também a organização curricular dos cursos.
A conclusão a que Gomes e Marins chegam é que há uma demanda de aprendizagens crescente e massiva, por isso um novo quadro para ação docente está colocado. O professor de hoje precisa se preparar mais, se envolver na comunidade escolar, numa postura profissional que lhe favoreça a troca de experiências. Também nos convidam a refletirmos sobre até que ponto estas mudanças que têm ocorrido dentro da educação contribuem para acrescentar prestígio à educação profissional e se aquilo que se propõe no âmbito das políticas educacionais tem sido realmente implantado ou se as reformulações do sistema educacional não seriam apenas o inicio de um processo de mudança.
Este texto é bastante esclarecedor para os profissionais da educação, principalmente aqueles que atuam na educação profissional; muito embora, hoje, este nível de ensino não seja mais regido pelo decreto nº 2.208/97, mas sim pelo nº 5.154/04 e também a resolução CNE/CEB já tenha sido modificada, com a aprovação do Catálogo Nacional dos Cursos Técnicos. Agora, a Educação Profissional não será mais organizada por vinte áreas, mas por 12 eixos tecnológicos. Todavia, isto não retira a riqueza de informações do mesmo, nem o desmerece. E como as próprias autoras ressaltam as mudanças educacionais, compete a nós educadores nos inteirarmos acerca das mesmas, buscando atualizarmos nossos conhecimento.